• Pasta de amendoim: dos benefícios ao modo de preparo

    Popular nos Estados Unidos, ela já coleciona fãs no Brasil — sobretudo entre praticantes de exercícios. Mas a pasta traz vantagens até para quem não treina

Até pouco tempo atrás, a pasta (ou manteiga) de amendoim era algo que a maioria dos brasileiros só conhecia pela televisão: um dos alimentos mais icônicos dos Estados Unidos, ela costuma ser mencionada ou devorada em séries e filmes americanos. Mas agora não há motivo para ficar apenas imaginando o sabor. A receita começou a bombar por aqui, especialmente entre o público adepto dos exercícios, já que promete dar energia extra. Mesmo quem não é da turma da academia, porém, pode tirar lasquinha dos seus pontos fortes.

“Embora o leite seja nutritivo, o que se usa para a produção da manteiga convencional é principalmente a gordura. Já o amendoim mantém outros nutrientes mesmo depois de convertido em pasta”, destaca a nutricionista Sabina Donadelli, de São Paulo.

O alimento começou a ganhar popularidade entre os americanos durante a Segunda Guerra Mundial, como uma forma barata de obter calorias e, principalmente, proteína. Em uma época em que a carne era escassa, virou complemento na alimentação de soldados e cidadãos em geral — até mesmo crianças. Para abocanhar um mercado cada vez maior, muitos fabricantes acrescentaram açúcar à fórmula, conquistando um público que permaneceu cativo muito tempo após o fim do racionamento. Transformou-se, assim, na substituta oficial da manteiga no café da manhã ou no lanche da tarde.

Uma pasta ideal, feita somente com o amendoim in natura ou torrado (e nada mais), oferece magnésio, potássio e vitamina E, um antioxidante poderoso — isso significa que ele é capaz de debelar radicais livres, moléculas produzidas pelo corpo sobretudo com a prática de exercícios.

 

Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Taco), apenas 100 gramas de amendoim contam ainda com 27 gramas de proteínas, cerca de metade da média diária recomendada para um adulto, o que torna a pasta opção interessante para quem quer preservar a massa muscular.

Não à toa ela ganhou passaporte instantâneo para o mundo fitness. Mas não é só comer e ir malhar: há truques para aproveitá-la direito. A começar pelo fato de o amendoim carregar um bom montante de gorduras, o que o diferencia dos alimentos pré-treino mais comuns, repletos de carboidratos. “Esses nutrientes geram a energia rápida de que o corpo precisa para realizar os exercícios e evitar os sintomas de hipoglicemia, como tontura e fraqueza”, ensina o nutricionista Breno Lozi, professor do Centro de Ensino Enf-Ciência, em Carangola (MG).

O amendoim até tem calorias de sobra para dar energia, mas sua digestão é lenta. Por isso, o indicado é degustar a pasta com maior antecedência: de quatro a cinco horas antes da malhação. “Os praticantes de musculação e outras atividades que duram mais tempo são os grandes beneficiados, pois não precisam de uma energia tão rápida quanto aquela proporcionada pelo carboidrato”, nota Sabina.

Ficou assustado com a parte sobre a abundância de gorduras no amendoim? Calma, esse não é um lado negativo. “Elas são do tipo insaturado, que aumentam o colesterol bom”, ressalta o nutrólogo Carlos Alberto Werutsky, coordenador do Departamento de Atividade Física e Exercício da Associação Brasileira de Nutrologia. Também há evidências de que reduzem a fração do colesterol ruim. Um combo bacana para a proteção do coração.

Aproveitando o papo sobre ganhos para o coração, a médica Aline Lamaita, da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, informa que o amendoim, assim como castanhas, nozes e afins, é fonte de fitoesteróis. “Eles ajudam a controlar os níveis de colesterol e triglicérides. Por isso, quando esses alimentos são consumidos de forma regular, podem contribuir para a circulação do sangue”, descreve.

Deu para notar que a pasta queridinha dos americanos não merece espaço só na casa de quem treina, né? “Para a população em geral, o custo-benefício é altamente positivo. Não serve apenas para atletas, não”, opina Werutsky. Ele reforça o papel da vitamina E. Estudos indicam que o nutriente dá uma força ao sistema imunológico e nos
deixa menos expostos ao desenvolvimento de um câncer, por exemplo.

A presença das gorduras ainda faz a pasta de amendoim proporcionar mais saciedade do que outros alimentos calóricos, porém ricos em carboidratos simples, como massas, cremes e pães refinados. Quando não é adoçada, auxilia inclusive no controle do açúcar no sangue, podendo, portanto, ser saboreada por quem tem diabetes. Um estudo publicado no Journal of the American College of Nutrition sugere que duas colheres de sopa por dia estão de bom tamanho para esse pessoal.

Para vegetarianos e veganos, o amendoim também é bem-vindo para equilibrar a dieta. “É que as proteínas vindas de alimentos como arroz, macarrão ou batata são incompletas porque não fornecem todos os aminoácidos essenciais”, ensina Werutsky. “Mas, quando combinadas com o amendoim ou outras oleaginosas, há uma melhora na qualidade proteica da alimentação”, afirma.


Fonte: Saúde Abril


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